segunda-feira, 14 de abril de 2014

Escola em tempo de Comunicação

Artigo

Escola em tempo de Comunicação
Meios e processos comunicacionais são cada vez mais usados como forma de proporcionar ao aluno a expressão de sua subjetividade e de, supostamente, tornar o ensino mais atraente; função crítica da escola em relação à mídia é consensual.

Cassiano José, colaborou: Rubem Barros

 Por volta das 20h do dia 30 de outubro de 1938, a Columbia Broadcasting System começou a gerar, em Nova York, um inusitado programa de rádio para suas emissoras associadas. No total, calcula-se que cerca de 6 milhões de pessoas tenham ouvido a emissão, um marco na história do rádio, então um veículo com menos de duas décadas de presença pública. Essa estrondosa repercussão, no entanto, foi resultado do pânico coletivo a que foram induzidos os americanos pelo extremo realismo da adaptação concebida pelo jovem Orson Welles para a Guerra dos Mundos, de H.G.Wells. Como muitos ouvintes pegaram a peça já pela metade, acreditaram piamente que a Terra estava sendo tomada por marcianos.
Desse dia em diante, se havia dúvida acerca do poder de influência do rádio e dos meios de comunicação de massa em geral, foi dissipada. Os regimes de exceção da época, aliás, já tinham percebido isso havia tempos, utilizando-os para insuflar seus adeptos ou para promover suas idéias de educação. No Brasil, o pioneiro Roquette-Pinto defendia, desde os anos 20, o uso educativo do rádio. A partir dos anos 60-70, com a popularização da televisão, os possíveis grandes aliados tornaram-se um temor para a escola: o que fazer com esses concorrentes, especialmente a TV, que seduzem os estudantes com imagens e sons e os desviam da árdua construção do mundo letrado, constitutiva do ideário iluminista?
Entrados no século 21, vivemos outros tempos: praticamente já não se questiona se o mundo da comunicação deve confluir para a educação, mas como estabelecer o diálogo entre um e outro. No ano passado, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) patrocinou um estudo, o primeiro do gênero já realizado no Brasil, com o intuito de descobrir quais os diferenciais de uma escola pública de qualidade em relação à média das instituições. Para isso, analisou, durante três meses, o trabalho de 33 escolas que se destacaram na Prova Brasil, avaliação realizada em 2005 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do Ministério da Educação, com cerca de 3,3 milhões de alunos do ensino fundamental em mais de 40 mil escolas de 5.398 municípios brasileiros. Constatou que, entre outras características em comum, as 33 tinham modelos democráticos de gestão escolar e ofereciam a seus alunos a oportunidade de participar de projetos especiais, fora da grade curricular. O documento de apresentação do trabalho (Aprova Brasil - O Direito de Aprender) cita algumas dessas experiências, como o jornal mural do Colégio Estadual Horácio de Matos, em Mucugê, na Bahia, que "certamente reforça a capacidade de expressão escrita dos adolescentes", e a rádio-escola do Centro de Ensino 03, em Guará, no Distrito Federal.

  
REVISTA EDUCAÇÃO - EDIÇÃO 123

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